Páginas

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Internet de hoje em dia...

A internet quer saber sua identidade Estão querendo acabar com o anonimato na internet. Na década de 90, pesquisadores defendiam que uma das grandes vantagens da rede era dar a qualquer um a identidade que quisesse: você poderia se representar como homem, mulher, criança, velho, pirata ou ninja. Agora – com o surgimento de um grande cardápio de crimes online que vão de comentários ofensivos a cyberterrorismo – está crescendo a idéia de que as pessoas devem usar seus verdadeiros nomes, endereços e fotos na internet.
Mas o anonimato também tem seus defensores. Muitos acreditam que ele é um recurso importante da internet, por permitir que pessoas expressem sua opinião sem sofrer represálias ou ainda como forma de garantir a privacidade. Uma das grandes batalhas nessa discussão aconteceu há poucas semanas, quando a Blizzard, empresa por trás do jogo online World of Warcraft, anunciou que iria obrigar os jogadores a usar seus nomes verdadeiros em fóruns. A reação dos jogadores foi tão forte que a empresa abandonou os planos. Faz sentido: nem todo mundo se sente a vontade para contar que, à noite, leva uma segunda vida como Orc ou elfo.
Para o bem ou para o mal, surgem várias iniciativas para forçar as pessoas a se identificar. Algumas delas:
1. Use Facebook, Google ou MicrosoftO Facebook é um dos poucos pedaços da rede onde quase todo mundo usa sua identidade verdadeira. Por conta disso, empresas que querem eliminar os anônimos baseiam seus aplicativos no site. É o caso do serviço de respostas Quora (leia abaixo) e do site CloudCrowd, que contrata pessoas para realizar pequenos trabalhos online a partir do Facebook. É claro que sempre é possível criar um perfil falso para essas tarefas, mas, além de dar trabalho, fica mais fácil de reconhecer a malandragem.
Algo parecido poderia ser feito também com a identidade em outros sites. A Microsoft e o Google, por exemplo, já usam um mesmo nome de usuário para dar acesso a emails, customizar buscas, registrar comentários em blogs e vários outros serviços. É possível que eles se espalhem ainda mais pela rede.
2. Cobre para comentarCansado de comentários idiotas ou ofensivos, o jornal americano “The Sun Chronicle” anunciou na semana retrasada que vai cobrar para que os leitores escrevam comentários. Não é grande coisa – apenas 99 centavos – mas força os leitores a revelar o cartão de crédito e, portanto, o verdadeiro nome.
3. Carteira de identidade onlineO governo americano está estudando a proposta de criar um sistema de “identidade voluntária”. As pessoas registrariam suas informações e ganhariam acesso a vários serviços online. Ainda é bastante polêmico. Especialistas em segurança dizem que é muito pouco para resolver os problemas. Defensores da privacidade avisam que isso pode ser um primeiro passo em direção ao um Big Brother online. Pode, no entanto, ser uma forma de aumentar a segurança nas transações comerciais pela rede – algo que hoje funciona um bocado com as leis do velho oeste.
A internet esta nos tornando mais burros ?
A grande polêmica da internet nessa semana girou em torno do último livro do jornalista Nichoals Carr, “The Shallows” (inglês para “Os superficiais”). O autor é acostumado a fazer barulho: em 2003, ele chacoalhou o campo de Sistemas de Informação ao defender que TI tinha virado algo tão comum que não trazia mais vantagem competitiva a ninguém. Agora, a bomba da vez é que a internet está nos tornando menos profundos.O resumo é que cada novo meio estimula uma habilidade em detrimento das outras. Jogar videogame, por exemplo, estimula a nossa capacidade visual, mas não tanto a nossa habilidade de leitura. Os nossos atuais hábitos digitais – de pular de página em página na internet e de acessar simultaneamente celulares, TVs, emails e textos – amplia a nossa capacidade de prestar atenção em várias coisas ao mesmo tempo. Mas, por outro lado, diminui a nossa concentração e a habilidade de pensar profundamente em um tema. Em outras palavras, estamos nos tornando mais superficiais.O livro gerou já um bocado de respostas interessantes. Uma delas veio de Clay Shirky, da Universidade de Nova York, que acredita que é ainda muito cedo para afirmar isso: a internet está há no máximo 15 anos na vida das pessoas, e a “superficialidade” é apenas um sintoma que em breve será remediado. Estamos lidando com a cultura de livros há séculos, e criamos meios de cultivar modos de sermos profundos. Na internet, essas técnicas ainda precisam ser desenvolvidas.Já o neurocientista Steven Pinker lembra que todo novo meio de comunicação criou pânico ao chegar: acreditava-se, por exemplo, que quadrinhos e videogames iam corromper crianças. E de fato o uso das mídias nos torna melhores em algumas habilidades, mas só nela: ouvir música não aumenta nossas habilidades em matemática, por exemplo. O resultado final é que, apesar de tantos Twitters e Powerpoints, sempre teremos a capacidade de sermos profundos assim que encontrarmos tempo para nos desligar de interrupções e refletir um pouco. Mas… será que é fácil achar esse tempo hoje em dia?

VIIIA : http://super.abril.com.br/

Nenhum comentário:

Postar um comentário